A quarentena do consumo exagerado | Colunas da Ana Leoni

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É só abrir qualquer rede social que lá estão as inúmeras lives prontas para te receber. São aulas gratuitas de ginástica, yoga, acompanhamento psicológico, moda e estilo, alimentação saudável, investimentos, finanças pessoais e uma infinidade de outros temas. Eu mesma tenho dado minha contribuição de vez em quando. Está tudo ali, pronto para ser consumido. Um consumo que não implica em um gasto financeiro, mas em um gasto de energia.

Também não é raro abrir essas mesmas redes sociais e se deparar com uma infinidade de ofertas relâmpago de várias grifes. São descontos expressivos, fretes grátis, programas de fidelidade e entregas rápidas da sua marca preferida no conforto do lar.

Eu mesma tenho aproveitado boas oportunidades que chegam de todo lado. Está tudo ali, prontinho para ser consumido em um passar de cartão. Nesse caso, é um consumo que implica em um gasto financeiro e em um alívio para as tensões e angústias de um período de quarentena.

Essa abundância toda tem gerado o que os americanos chamam de FOMO – expressão em inglês que significa fear of missing out, ou, no bom português, medo de perder o bonde. É um termo usado para descrever a ansiedade gerada pela sensação de estarmos deixando passar coisas importantes entre os dedos. E é essa sensação que tem tomado nossa atenção nas últimas semanas.

Outro dia vi o depoimento de uma pessoa que estava estressada por não conseguir acompanhar todo o conteúdo sobre empreendedorismo disponível. Ela dizia ficar até a madrugada acordada para a missão, mas ainda assim não era o suficiente para absorver tanta oferta.

Outra, se dizia esgotada de tanto ler e assistir vídeos com dicas de como ter uma rotina produtiva em tempos de quarentena. No fim do dia, não conseguia dar conta da metade do que se desafiava, por perder tempo selecionando a melhor técnica para aplicar.

Por fim, um seguidor me disse que estava satisfeito com a economia que já havia contabilizado desde que aderiu ao isolamento social. Tinha feito sobrar bastante, dado que cortou despesas com alimentação fora de casa, transporte e saídas nos fins de semana. Contudo, ao perceber que sua fatura do cartão de crédito ainda não tinha reduzido de valor, se deu conta de que estava consumindo coisas aleatórias e sem necessidade, seduzido pelas liquidações do momento.

Essa abundância ocorre também no off-line. Somos bombardeados por anúncios de rádio, TV, cartazes, vitrines das lojas, panfletos no semáforo. A diferença é que estamos mais habituados a essa dinâmica, e acabamos sendo automaticamente mais seletivos para aquilo que nos interessa. Já em casa, submetidos a adotar uma dinâmica diferente, as questões emocionais ficam mais afloradas e automaticamente ficamos mais vulneráveis à ação do coletivo.

O ponto é que, seja no on-line ou no off-line, em informações ou em supérfluos, precisamos de mais cautela e cuidado na hora do consumo. Temos de saber discernir o que é uma oportunidade ou uma armadilha, e o que vai agregar valor ao nosso cotidiano ou que vai ser apenas mais uma fonte de pressão psicológica. Selecionar o que fica e descartar o que for desnecessário.

Ser seletivo não implica ser descomprometido ou desinteressado. E tudo bem se você perder a live das 19h ou a liquidação que vale ‘só hoje’. Ser seletivo significa ser exigente com suas próprias necessidades, sejam elas financeiras ou emocionais.

Ainda não se sabe ao certo quais serão as sequelas deixadas por essa quarentena, mas uma coisa é certa: durante ou depois dela vamos precisar de mente, corpo e bolso em equilíbrio para lidar melhor com os seus efeitos.



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