Como a microbiota intestinal afeta a saúde – 09/12/2020

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Nos últimos tempos, a ciência tem mostrado que uma parte considerável da influência do ambiente na saúde humana e no risco de desenvolver doenças pode ser mediada e modificada por comunidades de micro-organismos.

Chamamos o conjunto desses micro-organismos de microbiota. Eles incluem um grande número de bactérias, arqueas (seres unicelulares morfologicamente parecidos com as bactérias, mas distintos em níveis genéticos e bioquímicos), vírus, fungos e protozoários benéficos que coexistem nas superfícies e nas cavidades do corpo.

Boa parte desses micro-organismos habita o intestino, formando a microbiota intestinal, que atua na imunidade, na digestão de alimentos, na regulação hormonal, na sinalização neurológica, na modificação da ação de drogas, na eliminação de toxinas e na produção de numerosos compostos que influenciam na saúde do ser humano.

Uma microbiota intestinal em desequilíbrio pode ser um dos fatores para o desenvolvimento de distúrbios metabólicos, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e desnutrição. No entanto, ainda se tem muito a descobrir sobre os efeitos desse conjunto de micro-organismos nesses problemas de saúde.

Por isso, dois pesquisadores da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, publicaram uma revisão na revista Nature Reviews Microbiology com o objetivo de discutir o que se sabe até hoje sobre a microbiota intestinal e a saúde humana. E como você deve imaginar, tem muita coisa relacionada com a alimentação.

A microbiota saudável e as doenças metabólicas

Muito se fala que devemos ter uma microbiota intestinal saudável. Mas o que isso quer dizer? Os pesquisadores do estudo em questão mostram que isso não está claro nem mesmo para os maiores especialistas no assunto.

Geralmente considera-se que existe um desequilíbrio, conhecendo a composição e a função da microbiota intestinal de pessoas metabolicamente saudáveis. Porém, de acordo com os estudos analisados, não existe uma definição clara sobre isso.

A distribuição de micro-organismos intestinais é única para cada pessoa, dependendo da diversidade, de variações genéticas e da taxa de crescimento microbianos, além das influências individuais, ambientais e genéticas do próprio hospedeiro. Dessa forma, não existe um “padrão” a ser seguido.

No entanto, ao comparar pessoas que têm estilos de vida tradicionais que não foram expostas aos fatores antimicrobianos da vida moderna (como, por exemplo, o uso massivo de antibióticos), a maioria das populações em países desenvolvidos apresenta uma menor diversidade microbiana intestinal.

De acordo com o estudo, esse declínio na diversidade da microbiota pode estar associado a um aumento na prevalência de distúrbios metabólicos como:

  • Ganho de peso: os estudos mostram diferenças na microbiota de pessoas com e sem excesso de peso. Algumas espécies de micro-organismos, como a Eubacterium, parecem estar associadas com o excesso de peso, enquanto outras, como aquelas do gênero Oscillospira, podem estar relacionadas a um peso saudável.
  • Diabetes tipo 2: evidências mostram que a microbiota intestinal, juntamente com a capacidade de secreção hormonal do intestino podem envolver-se na regulação da glicose, protegendo ou não contra o diabetes.
  • Doenças cardiovasculares: geralmente estão associadas com outras disfunções metabólicas, sendo difícil avaliar o impacto de uma microbiota em desequilíbrio apenas nas doenças cardiometabólicas. No entanto, mesmo com essas limitações, os estudos sugerem associações.
  • Doenças hepáticas: há um reconhecimento crescente de que uma microbiota intestinal desequilibrada pode ser um dos vários fatores na fisiopatologia de problemas do fígado. Na esteatose hepática (doença hepática gordurosa não alcoólica), por exemplo, parece comum a existência de um maior número de micro-organismos produtores de etanol.
  • Desnutrição: a amamentação, a segurança alimentar e hídrica são os principais fatores de proteção contra a desnutrição e são cruciais na maturação da microbiota intestinal saudável, caracterizada por um florescimento de bifidobactérias (espécies do gênero Bifidobacterium). Uma microbiota pobre nessas bactérias representa uma das possíveis perturbações da desnutrição aguda grave. Esse quadro pode ser revertido a partir da alimentação. No entanto, nos casos em que a desnutrição prossegue, o desequilíbrio na microbiota pode levar gradualmente à deficiência na captação de energia, resposta imune diminuída, dificuldades na síntese de vitaminas e maior propensão à invasão por bactérias patogênicas.

Impacto da alimentação na microbiota e no metabolismo

Sabe-se que uma alimentação rica em prebióticos pode contribuir para uma microbiota saudável.

Os prebióticos nada mais são que fibras alimentares, bastante presentes em alimentos in natura e minimamente processados de origem vegetal (cereais, tubérculos, leguminosas, frutas, verduras, legumes, oleaginosas), não digeridas pelo nosso organismo, mas que podem ser fermentadas e metabolizadas pela microbiota do intestino grosso, produzindo uma variedade de compostos que estimulam o muco do intestino e as barreiras de proteção desse órgão.

Quando os prebióticos são fermentados pela microbiota, diversos compostos são produzidos, como ácidos graxos de cadeia curta, acetato, butirato e propionato. Os nomes são complicados, mas as ações que geram no nosso organismo são bem importantes.

Os ácidos graxos de cadeia curta fornecem energia para as células do intestino. E as outras moléculas provenientes da fermentação ativam moléculas que podem aumentar o gasto de energia, reduzir a ingestão de alimentos e melhorar o metabolismo da glicose através da secreção de insulina, resultando em melhor saúde metabólica.

Isso acontece porque o acetato e o butirato estimulam a liberação de moléculas que atuam no pâncreas, levando a uma maior produção de insulina, e também no cérebro, gerando uma maior saciedade.

Além disso, tanto o butirato quanto o propionato estimulam hormônios que inibem a sensação de fome, como a leptina (também responsável pelo controle do equilíbrio energético).

Consumo excessivo de proteínas e consequências para a microbiota intestinal

Por outro lado, a microbiota intestinal pode ser afetada negativamente por uma alimentação pobre em prebióticos, com excesso de gorduras e proteínas animais, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool.

Esse conjunto de fatores pode levar a uma produção reduzida de ácidos graxos de cadeia curta e resistência à insulina. Também pode gerar o enfraquecimento da mucosa intestinal e a inflamação, resultando na diminuição da secreção de hormônios pelas células endócrinas intestinais.

Mas vamos focar na alimentação. No processo de fermentação das proteínas, elas primeiramente são quebradas em moléculas menores até libertar aminoácidos livres que, então, serão fermentados.

Se ocorre um consumo de proteínas de origem animal em excesso e consequentemente um aumento na fermentação desse nutriente, diversos produtos desse processo como gás sulfídrico e ácidos orgânicos irão aumentar o pH do intestino, modificando o ambiente microbiano e liberando os chamados padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs), reconhecidos pelo sistema imune como um sinal de invasão que desencadeiam inflamação e resistência à insulina.

Veja bem, estamos falando do consumo excessivo de proteínas em detrimento de outros nutrientes. Para manter a microbiota intestinal saudável, nada de dietas restritivas. Adote um estilo de vida mais saudável, consuma mais comida caseira e tenha uma alimentação variada, baseada em plantas. E claro, coma com prazer e sem culpa!

Bon appétit!

Sophie Deram



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