Desigualdade, pandemia e fome desafiam bioma e populações do Semiárido

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São Paulo – Para avaliar os impactos de fenômenos como a pandemia, a seca, a fome, mudanças climáticas, devastação ambiental e desmonte do programa de cisternas sobre o bioma e suas populações, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), juntamente com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) realizaram o estudo intitulado “Um olhar sobre os desafios enfrentados pela agricultura familiar do Semiárido Brasileiro no contexto da Covid-19”. O material será divulgado em conferência virtual nesta quinta-feira (23) às 10h.

O Semiárido é atualmente a região brasileira de maior vulnerabilidade social e ambiental. São mais de 4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. A constatação é da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PENSSAN), que constatou que 47% da população local vive em situação de escassez de alimentos.

Além disso, a falta de água e a interrupção de políticas públicas voltadas para a região pelo governo de Jair Bolsonaro ampliam o cenário crítico. Em contrapartida, o Semiárido concentra a maior produção da agricultura familiar brasileira. A atividade é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos no país.

Desigualdade

O trabalhador do campo, em especial no Semiárido, foi dramaticamente impactado pela pandemia. A necessidade de distanciamento social aprofundou ainda mais a desigualdade da região. Com fronteiras fechadas para a cidade, o poder público e mesmo a imprensa negligenciaram o olhar para esta população. “A disseminação da Covid-19 acentuou dificuldades estruturais e desigualdades já existentes nos sistemas alimentares. Questões como o fechamento de feiras e outros canais de comercialização levaram a uma redução da renda familiar. E isso intensificou ainda mais os desafios para a população do campo”, afirma a Fiocruz.

O amparo ao sofrimento veio justamente da solidariedade entre os trabalhadores da agricultura familiar. “Nesse contexto, as organizações de agricultores familiares tiveram um papel importante. Seja na criação de redes solidárias, no acesso a informações de prevenção e cuidado, e nas alternativas de logística e distribuição de alimentos, entre outras estratégias”, completa a entidade.

Agronegócio

Por outro lado, enquanto os produtores da agricultura familiar sofrem com a ausência de políticas públicas para o setor, o agronegócio ganha protagonismo no governo Jair Bolsonaro. Com o agravante de que o modelo adotado pelo agronegócio brasileiro não é voltado para a produção de alimentos, mas para a produção de commodities agrícolas para exportação e alimentação para gado. “Nessa perspectiva, para o pesquisador, o grande problema da produção de alimentos e da existência de um número alarmante de pessoas sem acesso a ele se concentra em um conjunto composto pelas empresas que produzem sementes e insumos, pelos grandes proprietários de terra, pelas fábricas e empresas de beneficiamento e comercialização e, por fim, pelos supermercados”, afirma a ASA.

A influência do agronegócio ameaça os biomas e coloca sob risco as condições adequadas de produção saudável de alimentos. “A palavra agronegócio é uma ideia, uma noção, um termo que, no Brasil, virou uma ideologia. Esta é uma especificidade do país, que se apropriou do termo original agribusiness, cuja tradução tem diferentes sentidos. A propaganda (a partir do mote ‘agro é pop’) e o crescimento da bancada política no Congresso mostram o enraizamento de uma cultura que se institui na mentalidade das pessoas”, continua a Articulação.

A pesquisa

O levantamento ouviu aproximadamente 2 mil famílias entre os dias 7 e 18 de dezembro do ano passado. “A estratégia de amostragem teve três etapas. Na primeira, um subconjunto de organizações de produtores foi selecionado aleatoriamente em cada estado. Depois, comunidades abrangidas pelas organizações foram selecionadas aleatoriamente. Na última etapa, uma amostra de beneficiários foi selecionada aleatoriamente dentro de cada comunidade. De forma proporcional ao tamanho de cada estado”, informa a Fiocruz.

“As evidências concretas assim obtidas pelas organizações podem ser aplicadas no desenvolvimento de suas próprias soluções, bem como na formulação de propostas de políticas para governos em diferentes níveis”, completa a entidade. Na apresentação dos resultados da pesquisa, os dados serão debatidos por agentes de diferentes entidades com a intenção de promover iniciativas de enfrentamento aos problemas. O evento pode ser acompanhado ao vivo pelo canal da ASA no YouTube e no Twitter da FAO Brasil.





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