Enxaqueca afeta 30 milhões de brasileiros. Saiba se você pode fazer cirurgia

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Já pensou em passar quase a metade da vida sofrendo com uma dor que atrapalha até na hora de fazer as coisas mais simples? Pois essa foi a realidade de Camila Abla, de 42 anos, que passou cerca de 20 anos com crises de enxaquecas que não cessavam. “Eu tinha que ir ao hospital duas ou três vezes por mês, tomava a medicação, mas não adiantava muito”, conta.

Ela faz parte de um contingente que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), chega a 15% da população mundial. No Brasil, a estimativa é de que 30 milhões de pessoas tenham a enfermidade.

A OMS considera a enxaqueca como uma das 10 doenças mais incapacitantes do mundo.

Camila conta como as dores de cabeça atrapalhavam a sua rotina: “Não conseguia planejar nada, nem um simples curso que eu queria fazer. A dor vinha e acabava com todos os meus planos. Viajar? Sempre quando chegava em uma cidade procurava a Santa Casa mais próxima para me prevenir”.

A esteticista afirma que tentou de tudo durante 20 anos: “Fiz muitas pesquisas, fiz medicina alternativa, tratamento espiritual, fui em vários médicos, mas nada adiantava”. Ela chegou a fazer parte de um grupo de pesquisa para enxaqueca no hospital Albert Einstein, em São Paulo, mas as dores eram tão intensas que precisou sair do projeto.

“Fora a tristeza que dá, vai atrapalhando muito, a gente não vive. Eu achava que não existia uma luz no fim do túnel”, diz. Mas a luz chegou há cerca de três anos. “Como eu pesquisava muito, vi uma pessoa falar da cirurgia em um post no Facebook, até que encontrei o doutor Paolo [Rubez] e digo que Deus faz tudo certo, ele atendia em um hospital muito perto da minha casa e consegui fazer toda a cirurgia pelo SUS”, comentou Camila.

“A luz no fim do túnel”

Camila fez uma consulta com Rubez e cerca de um mês depois passou pela cirurgia. “Como eu já tinha feito todos os exames, foi bem rápido. Ele me passou uma confiança enorme e muita tranquilidade.”

A cirurgia para enxaqueca é algo recente. Foi desenvolvida pelo cirurgião plástico Bahman Guyuron, em Cleveland, nos EUA, no início dos anos 2000. Aqui no Brasil, o pioneiro foi Paolo Rubez. O médico brasileiro fez cinco estágios com Guyuron, entre 2014 e 2017, onde aprendeu em detalhes as técnicas cirúrgicas.

O procedimento foi criado a partir de cirurgias estéticas na região frontal ou superior da face, de forma que o Guyuron notou que seus pacientes que sofriam com o problema da enxaqueca melhoravam das dores após a cirurgia. Em 2005, Guyuron e sua equipe publicaram um estudo envolvendo 125 pacientes. Do grupo tratado, 92% dos participantes obtiveram sucesso com a cirurgia, sendo que 35% apresentaram eliminação completa dos quadros de enxaqueca.

Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em cirurgia de enxaqueca pela Case Western University, contou ao Metrópoles que a cirurgia para enxaqueca pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico de migrânea (enxaqueca) e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês que não conseguem ser controladas por medicações.

Também estão elegíveis para a cirurgia:

  • pacientes que sofram com efeitos colaterais das medicações para dor;
  • pessoas que tenham intolerância a medicações para dor;
  • pessoas que desejam realizar o procedimento devido ao grande comprometimento que as dores causam em sua vida pessoal e profissional.
Como funciona a cirurgia

A paciente Camila relata: “Para fazer a cirurgia você precisa apontar os nervos onde dói. Ela é bem menos invasiva do que a gente imagina. A minha primeira demorou umas 5, 6 horas”. Ela ainda fez outras duas cirurgias, que foram mais rápidas. “Fiz anestesia local, então em todo momento eu estava acordada conversando com o doutor”, contou.

Paolo Rubez explica que há 7 tipos de cirurgia para enxaqueca, “já que existem 7 nervos principais, a partir disso é importante identificar qual é o nervo”. O médico afirma que o procedimento é pouca invasivo, pois trata-se de um músculo logo abaixo da pele.

“Estas cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral e, em alguns casos, sob anestesia local”, diz.

O pós-operatório

“A recuperação é supertranquila, só há o incômodo do primeiro e segundo dia para dormir, mas em 10, 15 dias eu já estava voltando para a minha rotina normal. Hoje eu consigo me programar e digo que domino a enxaqueca, pois antes ela me dominava”, conta Camila.

O médico brasileiro explica que o pós-operatório dessas cirurgias não é muito doloroso. De acordo com ele, os pacientes apresentam um pouco de inchaço e equimose (roxidão) nos locais operados. Em geral, podem retomar suas atividades diárias dentro de 7 a 10 dias, evitando apenas exercícios físicos e levantar peso por, no mínimo, 1 mês. Paolo Rubez ressalta que após a cirurgia a necessidade de tomar qualquer remédio para dores na região é muito menor.



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