Ex-BBB Sarah fez: saiba o que é lipo LAD e por que cirurgia é controversa – 10/07/2021

0
43

Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

.

A ex-BBB Sarah Andrade exibiu, pelas redes sociais, o resultado das cirurgias plásticas que realizou há 40 dias. A publicitária colocou próteses de silicone e fez uma lipoaspiração do tipo LAD, também conhecida como lipo “de alta definição” ou HD. Ela faz parte de um time de famosas, como Gabi Martins, Virgínia Fonseca, Ludmilla e Flayslane, que investiram no procedimento estético para modificar o formato do corpo.

Entenda a seguir como é feito o procedimento e os motivos pelos quais a cirurgia é considerada controversa:

Qual a diferença da lipo LAD para uma lipoaspiração tradicional?

A diferença entre a lipoaspiração tradicional e a LAD é que a primeira retira gordura localizada de uma camada mais profunda da pele, enquanto a segunda, além de remover o excesso de gordura, também modela e destaca os músculos atuando em uma camada mais superficial do corpo, dando o efeito de barriga tanquinho e perna torneada. Médicos e especialistas dizem que a lipo LAD surgiu da busca por um novo ideal de beleza: o corpo musculoso. “Está na moda ter um corpo esculpido, assim como ter uma barriga mais lisinha já foi tendência um dia”, diz a cirurgiã plástica Luciene Oliveira, da Clínica Leger.

Como é feita a cirurgia de lipo LAD?

Tiago Simão, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, de São Paulo, explica que a cirurgia costuma demorar de três a seis horas, é feita com anestesia e precisa ser realizada em ambiente hospitalar. No procedimento, os cortes, que costumam ter cerca de meio centímetro, são feitos para a entrada das cânulas de lipoaspiração nas regiões em que se busca drenar a gordura. “Normalmente são perfurados pequenos orifícios no paciente. Se o objetivo é definir o abdômen, são feitos três cortes na parte da frente —perto da cintura e do umbigo. Para aspirar a parte de trás, são mais três cortes: dois na altura do sutiã e um no glúteo para sugar a gordura dos flancos.

No pós-operatório, é preciso usar cinta modeladora, fazer drenagem linfática e tomar medicações anticoagulatórias para evitar o risco de trombose, além de anti-inflamatórios. “É uma cirurgia que não dói tanto. O que dói mais é a drenagem pós-operatória. A cinta ajuda os pacientes no pós e geralmente eles não se queixam”, explica Tiago Simão. “Os riscos da lipo são iguais aos de outros procedimentos: pode haver sangramento, hematoma, abrir algum ponto. Uma das complicações mais temidas é a trombose, que pode evoluir para uma embolia pulmonar, porém, essa é uma complicação rara e pouco comum neste procedimento”.

Segundo os especialistas, os resultados costumam aparecer no prazo de um mês após a cirurgia.

Quem pode fazer?

A lipo LAD, assim como a lipoaspiração convencional, não é indicada para pacientes que buscam perder peso, explicam os especialistas, já que é um procedimento de modelagem corporal. Se o paciente estiver com o IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 30, o ideal é que o médico indique um programa de reeducação alimentar e exercícios físicos para que o interessado perca peso.

A médica Luciene Oliveira explica que a cirurgia é ideal para quem já tem uma musculatura definida, mas que não consegue exibi-la por causa da gordura localizada. Além disso, é preciso que o paciente esteja comprometido com uma alimentação balanceada e busque seguir uma rotina de exercícios físicos, para que o resultado não se perca.

“Precisamos pensar no resultado a longo prazo. Será que a paciente daqui a dez, 20 anos, vai manter os mesmos hábitos alimentares e seguir a rotina de exercícios físicos? Toda a definição corporal pode ser perdida caso não haja esse comprometimento.”

Por que a lipo lad é considerada controversa?

Alan Landecker, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, de São Paulo, alerta que a deformação corporal é um dos possíveis problemas da cirurgia. “Na lipo tradicional, você age na camada profunda da pele. O ideal é não invadir a camada superficial de gordura, porque, caso você invada, o tecido fica irregular. Na lipo de alta definição, fazemos essa invasão com o propósito de desenhar os músculos. Mas o problema é que, assim, se gera uma deformidade permanente. Então, por exemplo, se essa pessoa engordar, ela vai engordar com os gominhos e é impossível reverter o resultado”, explica.

O médico questiona a realização excessiva de cirurgias no país e discorda daqueles que optam pela lipoaspiração como primeira opção para alcançar o “corpo dos sonhos”. “Esse procedimento está na moda porque as pessoas querem o que é mais fácil. Eu tento fazer com que meus pacientes não operem. Primeiro, eu coloco eles em um sistema de dietas, controle de alimentação, exercícios físicos. Assim, a pessoa consegue emagrecer sem precisar da cirurgia”, diz Alan.

A cirurgiã Luciene Oliveira também problematiza a popularização do procedimento e alerta: “É preciso conversar com o seu médico e definir com ele o que fica melhor em você. Esse procedimento não é para todas as pessoas. Quem não tem hábitos saudáveis, não tem musculatura não pode fazer a cirurgia. A lipo HD não é pra todo mundo”.

Alexandra Gurgel, criadora do Movimento Corpo Livre, já passou por uma lipoescultura malsucedida aos 23 anos e hoje fala sobre o assunto. “Eu vejo crianças de 13 anos querendo operar o nariz para sair bem na selfie. Crianças que sonham em ter o corpo parecido com o da fulana do Instagram que fez uma lipo, que fez isso, fez aquilo”, diz a Universa.

“A lipo LAD é só mais uma arma do patriarcado para que as mulheres continuem obcecadas pela própria beleza”, opina Alexandra. “A gente acha que só vai ser feliz com o corpo perfeito e ficamos esperando esse momento. As pessoas não percebem, mas primeiro surge o batom emagrecedor, depois a harmonização facial, aí aparece a lipo LAD. São táticas para fazer você gastar dinheiro e achar que aquilo é a solução dos seus problemas.”

*Com informações da matéria: “Lipo LAD: o que há por trás da cirurgia da moda que cria barriga tanquinho“, publicada em novembro de 2020.



Fonte