Jacqueline Sato sobre representatividade asiática na TV: “Presença ainda é muito pequena” – Vogue

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Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

A TV é uma das maiores ferramentas de formação cultural, pois ajuda a disseminar pelas casas de milhões de pessoas o que deve ser tendência, o que pode ser bonito ou feio, etc. Mas debates sobre diversidade cada vez mais em voga estão fazendo com que esse meio passe a relatar o mundo com mais realidade: seja em suas novelas, na bancada de um jornal ou mesmo na música.

A verdade é que, ainda, há muito pouco equilíbrio sobre a distribuição de papeis ou que diretores e roteiristas cedam em trazer rostos e corpos que muitos poderiam se identificar. Com artistas asiáticos acontece a mesma coisa. “Quando parei para pensar que a primeira mulher amarela (Cristina Sano) a participar de uma telenovela foi acontecer 35 anos depois da estreia das telenovelas na TV brasileira, em 1986, sendo que a primeira novela estreou em 1951″, reflete Jacqueline Sato, 32 anos, em entrevista exclusiva à Vogue Brasil.

Ana Hikari foi a primeira protagonista amarela em telenovela brasileira ao integrar o elenco de Malhação – Viva a diferença, em 2017.  Foi acontecer 31 anos depois, ou seja, se passaram 66 anos, constatei inegavelmente que mudança e presença ainda são muito pequenas e lentas”, explica Sato, que participou de novelas como Sol Nascente, também da TV Globo.

Jacque, que também é um símbolo de representatividade, afirma que o cenário, no entanto, está mudando cada vez mais rápido. Afinal, a internet mostrou ao público que ele pode sim cobrar por algo diferente e para quebrar esse padrões, que muitas vezes causam danos em parte da sociedade. “Tenho fé que o processo não será mais tão demorado e se ampliará exponencialmente, afinal, mais do que nunca o público tem se manifestado. E isto tem uma força e influência muito grande. Afinal, sejam nas obras audiovisuais, nas campanhas publicitárias, ou nas capas de revistas, o que quem cria mais quer é conquistar o seu público, então a representatividade é essencial.”

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

Durante o bate papo, a atriz e apresentadora ainda deu dicas de influenciadoras que focam na beleza asiática, falou sobre sua rotina de skincare, procedimentos estéticos e representatividade; acompanhe abaixo:

VOGUE: Você sempre se interessou por rotinas de skin care? Hoje em dia, qual o seu
processo para cuidar da pele?

JACQUELINE SATO: Sempre cuidei da minha pele, desde criança, mas até então não classificava isso como rotina de skincare. Apenas sentia que deveria fazer, e me fazia sentido. Fui ao dermatologista pela primeira vez aos 12 anos de idade. E desde então comecei a lavar o rosto com um sabonete adequado à pele do nosso rosto e a aplicar protetor solar todo santo dia. Com o tempo fui acrescentando mais alguns passos e entendendo isso como um auto-cuidado mais profundo mesmo. Principalmente quando o dia a dia está mais intenso, ou estamos mais estressadas, ter este momento só para si, e se dar esse auto-carinho diário faz muita diferença. Afinal, a nossa pele é uma das primeiras a se manifestar quando nossos níveis de estresse aumentam.

Hoje em dia eu:
1- lavo o rosto com um sabonete adequado para a minha pele (às vezes uso Effaclair que é meu companheiro de muitos anos, e às vezes uso um em barra de argila branca maravilhoso da Quintal Dermocosméticos, que virou um queridinho.) 
2- Aplico água termal e deixo secar naturalmente.
3- Tem dias que faço a massagem com o rolo de Jade. Amo, é uma delicia. E ainda ajuda a desinchar. 
4- Então aplico o sérum C E Ferulic da Skinceuticals e o A.G.E. Eye Complex da mesma marca.
5- Finalmente o Protetor Solar de FPS 50 ou mais. (Uso o LaRochePosay Hydraox).
6- Pronto. Tô pronta pra vida rsrs.
7- Nos dias que uso maquiagem, gosto de lavar o rosto com óleo Demaquilante da Bioré. É sensacional. Derrete toda a maquiagem. Uso no banho mesmo, ou na pia. 
8- E depois ainda tiro o pouquinho que ainda ficar com Água Micelar.
9- À noite repito a lavagem no rosto com o sabonete adequado e, atualmente, aplico o Hydrating B5 da Skinceuticals que é um fluido meio em gel com uma textura super leve e gostosa, que tem alta concentração de Ácido Hialuronico e vitamina B5. E depois o mesmo creme para área dos olhos que apliquei pela manhã.
10- Um produtinho que entrou na minha rotina de skincare durante a pandemia e nunca mais vai sair é a Bruma Restauradora Energizante da Quintal Dermocosméticos. É muito leve, gostosa e cheirosa, e dá uma energizada mesmo. Acalma e hidrata a pele, fortalece a microbiota, energiza as celulas, ativa a luminosidade natural, e ainda protege conta a luz artificial e de telas RGB, que éalgo que acredito que quase todo mundo intensificou a exposição nos últimos tempos. 
11- De vez em quando, faço uma mascara de argila, também da Quintal, que ajuda a fechar os poros, e diminuir a aparência deles. É realmente boa. O efeito é instantâneo e dura bastante. Então só repito quando sinto necessidade novamente. 
12- Nunca fico muito tempo usando os mesmos produtos, pois passo com frequência no dermatologista e aí vamos trocando. Simplesmente por que nossa pele necessita de diferentes cuidados conforme a fase da vida, a época do ano, o local onde a gente está. Antes da Pandemia, quando eu viajava com mais freqüência para locais com clima bem diferente do nosso, minha pele sentia muito a mudança. Teve vezes que chegou a escamar. Sensação horrível essa. Então, eu passei a ter um Kit de viagem com itens de hidratação mais intensa. Pois geralmente, os destinos eram locais mais secos, ou bem mais frios. 

Nossa, acho que falei tudo. Mas como disse, uma coisa ou outra vai mudando conforme a necessidade do momento. Estou sempre atenta aos sinais que minha pele apresenta. E olha que ela se comunica bastante, viu? Basta eu ficar mais nervosa por algum motivo que ela logo se expressa com uma ou outra espinha, ou com mini-bolinhas vermelhas. Que logo desaparecem quando me reequilibro e cuido dela direitinho.
 

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

VOGUE: Tem alguma dica específica de skin care para peles asiáticas, que, assim como a pele negra, é uma das que mais mancham?
JS: Primeiro de tudo, encontre um dermatologista que você goste e confie. Para que possa se sentir confiante e a vontade para sempre tirar suas dúvidas. Justamente por serem peles que mancham com  facilidade eu recomendo nunca inventar, nem experimentar nada na pele antes de conversar com um profissional. Imagina só se mancha! A outra dica, que todo mundo já sabe é usar protetor solar diariamente. É bom que se torne um hábito tão automático quanto escovar os dentes, assim você sempre estará protegida e minimiza muito as chances de aparecerem manchinhas indesejadas. 

Houve uma fase em que eu estava mais estressada e comecei a ter mais espinhas, e estes pontinhos vermelhos pelo rosto, que parecem rosácea. Quando fui à dermato ela me receitou Effaclar Anti Age, que é um corretor pra pele oleosa, e alternava com o Blemish Age Defense, além de uma fórmula desenvolvida especificamente pra mim. Aí resolveu. Mas pensa numa pessoa bitolada no protetor solar?! Essa sou eu. Sempre fui assídua, mas nessa fase eu cuidei ainda mais, por saber que havia mais chances de manchar a pele. Além disso, fuja mesmo do sol nos horários mais intensos. Isso faz muita diferença a longo prazo. E a curto prazo, você consegue manter uma tonalidade e aspecto mais saudável na sua pele como um todo. Aprendi isso dos horários quando ainda criança e sempre busquei seguir à risca. Teve uma vez ou outra, dá pra contar nos dedos, que não segui e logo me arrependi. É muito ruim sentir a pele ardendo, e pior ainda vê-la descascar. 

VOGUE: Atualmente, temos muitos influenciadores de beleza, você costuma
acompanhar algum que foque na beleza asiática. Tem sugestões?

JS: Nossa, tem mesmo. Acho muito interessante que haja essa multiplicidade de pessoas falando sobre isso, e revelando a beleza da diversidade. Cada um com suas características marcantes. Tenho sim. Uma que realmente mostra tutorial de Make, e até dá aulas é a @kamilahee que é descendente de coreanos e é focadíssima na beleza asiática. É muito criativa e boa no que faz. Nos conhecemos por que ela me marcou num post dela em que falava sobre as diferentes eye lids que, asiáticas ou descendentes de asiáticas, temos. E achei muito bacana.

Coincidentemente, tempos depois, nos encontramos numa exposição na Japan House, e nos aproximamos mais. Atualmente, ela me dá consultoria online quando quero fazer alguma make diferente. Principalmente logo que o programa Encantadores de Pets estreou, o bate bola com ela foi essencial, para que eu ficasse mais confiante e arriscasse mais nas maquiagens. Pois eu sempre soube fazer a make básica, mas não queria ficar repetindo sempre a mesma. Então as idéias, referências, e aulas online que a Kami me deu super me ajudaram a começar a criar coisas diferentes, tipo os delineados coloridos, que sempre olhei nos outros e amei, sempre confiei que fizessem em mim, mas ainda não confiava que eu mesma conseguiria fazer, e me surpreendi quando consegui fazer sozinha.

Outro perfil que não é bem de influenciadora de beleza, mas que compartilha diferentes belezas asiáticas é o @garota.asiatica . Acho muito boas as referências todas das diferentes belezas entre as asiáticas que ficam muito nítidas dando o scroll neste perfil. Pois mesmo entre as que tem a beleza asiática há diferenças, formato do rosto, tom de pele, formato dos olhos e pálpebras, lábios, sobrancelhas. Então, é muito legal que neste feed, é possível ver diferentes rostos e características. Com certeza dá pra achar uma referência que se pareça contigo, ou ainda se inspirar numa outra e arriscar adaptar para o seu tipo de rosto. É bem bacana como inspiração mesmo. Já peguei várias idéias de maquiagem por lá.

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

VOGUE: Você tem costume de trabalhar com muitos maquiadores, alguma vez já sentiu que sua beleza foi “ocidentalizada”?
Ah sim, de falarem que meu rosto era muito redondo, e que era bom eu sempre fazer o contorno. Eu acho que, às vezes, é legal fazer o contorno, mas gosto também dele natural. Isso de quererem a todo custo fazer nosso nariz mais marcado, às vezes, dá bem errado. rsrs Gosto de apenas valorizar a beleza. Não gosto de nada que mude muito quem eu sou. Mas já estive em mãos que quiseram mudar. E principalmente, quando mais nova, em mãos de pessoas que certamente não sabiam o que estavam fazendo, não sabiam como maquiar um rosto que não fosse 100% ocidental. Aí erravam no côncavo, por exemplo. Lembro de várias vezes ter que mudar, ou suavizar a maquiagem. Ou quando não era trabalho, quando eu era mais nova ainda e ia me maquiar com algum profissional que errava feio, eu ia embora frustrada. Por que quando a pessoa não tem referência, não entende exatamente o que você está falando, é complicado. Lembro de vezes que comentavam, e aí a pessoa ia tentar arrumar e piorava mais ainda. Mas isso quando ainda não conhecia os bons profissionais com quem, graças a Deus, tenho trabalhado nos últimos tempos. 

VOGUE: Costuma recorrer a clínicas de estéticas para algum tratamento mais específico? Se sim, qual?
JS: Olha eu adoro ir à clinica estética, mas confesso que nos últimos tempos não tenho ido não. Sei que eles devem estar tomando todos os cuidados, mas eu sigo saindo de casa o menos possível por conta desse momento delicado que todos nós estamos vivendo. Mas aqui em São Paulo, eu sempre fui na clinica Visia. Eles tem tratamentos de diversos tipos para corpo e rosto, e ótimos profissionais. Fazia alguns para corpo, velashape, entre outros, e já fiz alguns para o rosto para estimular a produção de colágeno, e também peelings leves. Sempre com todo o cuidado dos profissionais de lá que acompanham de perto, fazem avalições minuciosas a cada ida nossa. É muito legal que fica tudo registrado lá no sitema deles, então você consegue ver mesmo o antes e depois, e toda a evolução. Ai, fiquei com saudades de ir lá.

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

VOGUE: Como é para você ser representatividade na TV?
JS:
Nossa, significa muita coisa. No início eu não me dava conta, mas com o tempo eu fui vendo que, de fato, me tornei aquilo que eu sentia falta de ver quando eu era criança e adolescente. Tenho ciência, hoje, que sou uma referência para várias meninas, e isso me toca profundamente. É uma honra, um privilégio, e uma missão seguir presente, trabalhando, e sentindo que, aos poucos, tenho e temos contribuído com a criação de uma realidade mais múltipla na TV, nas revistas, nas mídias como um todo. E uso no plural, pois são várias as garotas e mulheres que cumprem essa função de representatividade, conscientemente ou não. E espero que sejamos cada vez mais.

Quando comecei, não tinha isso tão claro, apenas queria trabalhar com aquilo que eu sempre quis. Mas depois fui vendo, o quando o pouquinho que eu ia fazendo ia gerando identificação com várias meninas e mulheres. É uma reação em cadeia muito potente que se estabelece quando uma pessoa de um grupo subrepresentado tem a oportunidade, ocupa seu lugar, faz seu trabalho bem feito. Acontece uma mudança estrutural importante. E o nível das mudanças que isto gera, tanto no âmbito qualitativo, subjetivo e sutil, quanto no quantitativo, são imensuráveis. 

Na vida, às vezes, a gente observa e quer que algumas coisas mudem, mas muitas vezes enxergamos aquilo como algo externo que não depende de nós. Mas depende sim, de cada um de nós. Acho que a diversidade étnico-racial, de gênero, de diferentes corpos, tem ganhado seu espaço por que muitas pessoas passaram se expressar e a dar a devida importância a isto. A cobrar mesmo dos produtos audiovisuais, ou não, das marcas, empresas, e espaços de privilégio como um todo. Isso não vem do nada. Vem do sentimento genuíno de muita gente, que finalmente consegue se colocar e falar o que pensa, o que sente. E aí eu consigo ver a Internet como uma ferramenta importante para que isso tudo pudesse acontecer. A frase final do meu TEDx a respeito, justamente, de representatividade é “Você tem uma voz, e ela precisa ser ouvida”. É lindo ver quanta gente se identifica e deixa de se sentir sozinha, deixa de ficar quieta, e passa a agir em direção à mudança que acha necessária. 
 

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

Jacqueline Sato (Foto: Andrea Dematte/ Divulgação)

VOGUE: Como é a resposta nesse sentido para você?
JS: A resposta das pessoas? É maravilhosa. Dá mais vontade ainda de continuar fazendo o que sempre tive vontade. Ajuda a superar os medos e crises internas que todos nós temos. A respirar fundo quando as coisas não vão bem e seguir em frente. A acreditar que uma realidade mais inclusiva e múltipla nas telas, páginas, empresas e na vida é algo possível. Agora, se a resposta é na agilidade que essa mudança vem acontecendo, eu acho que dá e deve acelerar muito mais. Quando parei para pensar que a primeira mulher amarela (Cristina Sano) a participar de uma telenovela foi acontecer 35 anos depois da estreia das telenovelas na TV brasileira, em 1986, sendo que a primeira novela estreou em 1951, e a primeira protagonista amarela (Ana Hikari) em telenovela brasileira foi acontecer 31 anos depois, em 2017, ou seja, se passaram 66 anos, constatei inegavelmente que mudança epresença ainda são muito pequenas e lentas.

Quando me deparei com estes dados, a urgência que sempre foi latente em mim, só aumentou. Mas tenho fé que o processo não será mais tão demorado e se ampliará exponencialmente, afinal, mais do que nunca o público tem se manifestado. E isto tem uma força e influência muito grande. Afinal, sejam nas obras audiovisuais, nas campanhas publicitárias, ou nas capas de revistas, o que quem cria mais quer é conquistar o seu público, então a representatividade é essencial, uma vez que a população está consciente da subrepresentatividade de determinados grupos, e possui formas claras e mensuráveis ao alcance das suas mãos para manifestar suas insatisfações. Tenho esperança sim, e gosto de ter.



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