Médica agredida em Pelotas foi denunciada por violência obstétrica duas vezes em cinco anos | Rio Grande do Sul

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    A médica Scilla Lazarotto, que denunciou ter sofrido agressões e ameaças do marido de uma paciente, no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), na sexta-feira (29), foi denunciada por violência obstétrica pelo casal Wagner Couto de Quevedo e Pâmela Carol Pinheiro. Além deles, ela já respondeu a outras duas denúncias de pacientes em 2015 e 2017.

    Ambos os casos, segundo a Polícia Civil, não foram concluídos e seguem em investigação. Eles se somam à nova denúncia feita pelo casal, que alega que a obstetra insistiu em parto normal mesmo após opiniões contrárias de outros profissionais.

    “Algumas vezes vinha, não sei é estudante ou outro médico, me avaliar e falava pra ela: ‘não, ainda tem borda, não, ainda não tem dilatação’. E ela cada vez mais transtornada e me xingando. Falou que a gente era incompetente, que se a minha filha não tinha nascido ainda era por causa minha, que eu não tava aproveitando as contrações”, diz Pâmela.

    A médica registrou ocorrência policial contra Wagner e relata que foi agredida e ameaçada. Porém, não quis comentar sobre as outras denúncias.

    “Eu estava indo em direção a porta e ele colocou a mão na capanga assim, que estava pendurada, e disse assim: ‘eu tenho um 38 e um 42 e eu vou lhe dar um tiro. A senhora não vai sair viva daqui’. Eu acho que eu nunca tive tanto medo da minha vida”, diz Scilla.

    Wagner diz que as armas são regularizadas e que as agressões não aconteceram conforme descritas pela médica. “Ela disse que a criança ia morrer e que a culpa era toda minha, e foi se retirando da sala. E falou pra equipe que era pra acionar a sirene, que era parto de risco. Bom, aquilo me afetou assim, me desmoronou. Eu saí de mim, eu perdi a cabeça, eu empurrei a doutora”, alega.

    Médica denuncia agressão de marido de paciente em hospital de Pelotas — Foto: Arquivo Pessoal

    O Hospital Escola abriu uma sindicância para apurar o caso. Já o Conselho Regional de Medicina (Cremers) não informou se há outras denúncias contra a médica nem comentou o caso.

    O parto foi realizado por outro médico. A delegada Márcia Chiviacowsky espera concluir o inquérito até o final da semana.

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