Pacientes de câncer devem ter cuidados diferenciados

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O diagnóstico de Covid-19 no prefeito de São Paulo, Bruno Covas, chamou a atenção para os riscos da doença causada pelo vírus Sars-CoV-2 em pacientes oncológicos. Covas está em tratamento de um câncer do sistema digestivo, que apresentou metástase, desde o final do ano passado. De acordo com informações da sua equipe médica à imprensa, atualmente o prefeito faz sessões de imunoterapia.

No caso de Covas, como anunciado por ele nas redes sociais, a infecção não está gerando sintomas, mas pesquisas indicam que pessoas com câncer formam um grupo de risco para complicações da Covid-19. Segundo o diretor médico do Centro Estadual de Oncologia (Cican), o cirurgião oncológico André Bouzas, o grupo inclui pessoas com câncer ativo e aquelas cujo tratamento terminou há no máximo um mês, prazo que também vale para o caso de realização de cirurgias.

“Tem aqueles pacientes com câncer hematológico, que têm uma supressão crônica, ou que fizeram transplante de medula, que são de risco ainda mais elevado para complicações. Não é que o paciente vá pegar mais fácil, a Covid-19, mas vai desenvolver uma forma mais grave caso contraia a doença”, completa o especialista.

Bouzas ressalta que pessoas que tiveram câncer, mas já estão totalmente curadas, não apresentam riscos diferenciados diante da Covid-19 e alerta que quem está em tratamento não deve interromper. O cirurgião cita um estudo publicado na The Lancet, revista científica do Reino Unido, que apontou não haver impacto na mortalidade de pacientes infectados pelo coronavírus que realizaram quimioteria em até quatro semanas após o diagnóstico de Covid-19.

Casos novos

No caso de pessoas que receberam um diagnóstico de câncer durante a pandemia, o diretor do Cican afirma que também é possível iniciar a quimioterapia. O especialista conta que tem ocorrido situações onde os médicos responsáveis pelo tratamento invertem a ordem habitual entre a remoção cirúrgica do tumor e o tratamento quimioterápico. Ele alerta que em casos de tumores muito agressivos, a exemplo do de pâncreas, essa adequação não é possível, pois o adiamento da cirurgia pode comprometer as chances de cura do paciente.

O médico explica que as recomendações de diversas sociedades médicas em todo o mundo também contraindicam o adiamento da cirurgia no caso de tumores que não respondem aos tratamentos clínicos disponíveis. “Você tem de expor para o paciente, o risco de mortalidade, o risco de pegar Covid…”, comenta Bouzas, lembrando que todos os casos devem ser avaliados de forma individualizada.

O cirurgião ressalta que outro aspecto importante quanto à cirurgia é que pacientes com Covid-19 tendem a apresentar mais complicações no pós-operatório, com mais risco de ir para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e de serem entubados. “A gente tem buscado checar se o paciente está com sintoma e testar o paciente antes da cirurgia. Se ele não tem nenhum sintoma e, até dois dias antes, ele testou negativo, ele vai para a cirurgia”, detalha.

Um estudo do impacto da infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) no pós-operatório de pacientes submetidos a cirurgias diversas, reuniu dados de 235 hospitais localizados em 24 países e verificou um aumento na mortalidade em até 30 dias após o procedimento. Publicado na The Lancet no final de maio, a análise considerou pacientes infectados no período de 7 a 30 dias após a cirurgia.

Pandemia muda atendimentos

O impacto da Covid-19 na mortalidade de pessoas com câncer pode ir além dos riscos oferecidos pelo contágio com a doença, é o que aponta um estudo da University College London. A instituição de ensino e pesquisa estima um aumento de pelo menos 20% na mortalidade de pessoas com câncer nos próximos doze meses, considerando a infecção pelo coronavírus, mas também os danos causados por atrasos no diagnóstico e no tratamento dos tumores.

O Brasil não conta com um estudo semelhante ao feito pela University College London para a Inglaterra, mas as Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica estimam que pelo menos 50 mil brasileiros com câncer deixaram de ser diagnosticados desde o primeiro caso de Covid-19 registrado no país, em 26 de fevereiro.

De acordo com a oncologista Clarissa Mathias, que integra a equipe do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), a pandemia mudou completamente a rotina de tratamento dos pacientes. Ela conta que a telemedicina tem sido utilizada sempre que possível e no caso dos atendimentos presenciais, as consultas são agendadas com intervalo maior.

Diretor médico do Centro Estadual de Oncologia (Cican), o cirurgião oncológico André Bouzas reforça que pacientes com câncer devem comunicar o surgimento de qualquer sintoma suspeito de Covid-19 ao médico que os acompanham.

Segurança

Embora o tratamento mais associado ao câncer pelo público leigo ainda seja a quimioterapia, existem outras alternativas e nem todas baixam a imunidade do paciente. Clarissa Mathias comenta que a imunoterapia, por exemplo, tende a acelerar o sistema imunológico, e que tanto na imunoterapia quanto na terapia-alvo, até o momento, não existem evidências de que ocorra aumento no risco de ter Covid-19 na forma grave. “O que se sabe é que pacientes com câncer de pulmão, e muitos desses estão em uso de quimioterapia e imunoterapia, parecem ter mortalidade maior”, conta.

Para minimizar os riscos de contágio, a oncologista diz que os centros de tratamento devem adotar a medição cotidiana de temperatura de todos os seus funcionários e pacientes, além de manter rigor no uso de EPIs (equipamentos de proteção individual).

 



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