Te curto a presença – Revista Nove

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O cinema requer presença, a vida exige presença, e você, está presente agora?

Tudo que nos afeta traz movimento sobre os nervos sensíveis que chamamos de consciência corporal. Sim, cinema é também espaço teso entre os nossos corpos, é uma arte resultante de Eros que se sabe escasso e abundante no agora, filho desses deuses mitológicos que simbolizam o que nos falta e o que nos transborda. Um estado de coisas que se misturam numa sala escura e momentaneamente repleta de luzes, chamada consciência.

Desejar a 24 quadros por segundo nos faz vivos, nos traz vida que nos come a presença. Assim é esta arte que não se limita as calçadas insossas da fama e nem a uma colina com um letreiro iluminado, em noites áridas na terra dos anjos. Sempre que nos permitimos estarmos presentes num filme, caímos de um céu, como na expulsão do paraíso. O bom filme é assim, nos traz a sensação da deliciosa mordida na suculenta maçã, ou melhor, como numa estrada que nos leva para além do arco-íris.

Nenhuma outra arte nos transporta para tão dentro de nossas escolhas individuais e coletivas. A trilogia da estrada (‘Alice nas cidades’, ‘Movimento em falso’ e ‘No decurso do tempo’), filmes de Win Wenders, integrantes do novo cinema alemão na década de 70, abordam esse afeto pelo destino que é viver e ficar se equilibrando entre escolhas e consequências. Vemos um personagem afetado por um mundo diluído pelo imediato, numa experiência vazia de mundo. São filmes repletos de silêncio que dialogam com nossos humanismos, emoções e que provam que o mundo é quem domina o humano e não o contrário. O espectador fica de frente a uma miopia espiritual dos personagens e suas relações deterioradas, numa sociedade cada vez mais imersa na falta de presença.

Vivemos assim no Brasil de 2020, temos a ebulição criativa de outros mundos e economias possíveis, mas os velhos sistemas teimam em chamar de “novo” tudo aquilo que mantém o Status Quo do mais do mesmo. A modernidade líquida, conceito debatido pelo sociólogo Zygmunt Bauman, traduz bem essa ausência proposital de políticas públicas plurais e propositivas para o bem comum.

Temos fome de presença, e nossas identidades coletivas e individuais são ressignificadas, diariamente, destituindo espaços culturalmente reconhecidos de poder, que perderam seus sentidos históricos e políticos há muito tempo. Nossa geração tem essa consciência de que nem sempre há necessidade da estrada para quem deseja ir ou precisa deslocar-se. A sensação da busca pelo novo e o inesperado não necessita da viagem para seguirmos lutando contra o racismo estrutural do Estado de Direito brasileiro. O percurso pode ser intensificado e enriquecido por uma busca interior, principalmente em nossas ancestralidades. O medo tenciona a busca pelo novo, mas jamais conseguirá impedi-lo de chegar. É só com a presença na ação que venceremos esse medo de lutar por mais justiça social. Afinal já sabemos que viajar é sinônimo de deixar para trás e romper fronteiras, no caminho de volta para casa.

Sugestão pós-leitura: Ouvir a música ‘Força Estranha’, de Caetano Veloso, na voz de Gal Costa. Depois assistir aos filmes citados de Win Wenders.

Um abraço presenticado de afetos!



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